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09 dezembro, 2007

Derrota em referendo é 'alerta', diz Maringoni

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1187/9/



Para comentar a derrota do governo venezuelano no plebiscito sobre as reformas constitucionais propostas por Hugo Chávez, o Correio da Cidadania conversa com o jornalista e historiador Gilberto Maringoni.

De acordo com Maringoni, autor do livro “A Venezuela que se inventa”, o resultado das urnas na Venezuela é um alerta a Chávez para que haja uma reaproximação com setores moderados e um reparo nas insuficiências do processo de reformas iniciado com a chegada do presidente ao poder em 1999.

Correio da Cidadania: Qual você acredita ter sido o principal fator que levou Chávez à derrota no plebiscito sobre a reforma constitucional?

Gilberto Maringoni: Se olharmos os números, vemos que a oposição manteve a quantidade de votos conseguida nas eleições passadas. O que houve foi uma abstenção de quase metade do eleitorado; o surpreendente não foi a oposição ter ganho, mas sim o chavismo ter reduzido sua votação.

CC: Tamanha abstenção foi, então, a única causa da derrota? Por que tantos chavistas não compareceram às urnas?

GM: Segundo Chávez, essa foi a causa. O certo é que não foi a oposição quem ganhou, mas sim o governo quem perdeu. Claro que, ainda observando os números, houve uma vitória da oposição por uma pequena margem, mas não se pode ficar dizendo que “foi apenas por uma pequena margem” como maneira de amenizar a situação e resolver o problema.

Quando diz que a abstenção ganhou, Chávez passa um dado real, mas não diz qual é a causa disso. Ele não fala quais foram as razões que motivaram os seus apoiadores a não comparecer às urnas para aprovar a reforma constitucional, forçada por ele como se fosse uma espécie de plebiscito que o aprovasse.

Tais fatores são vários. Precisam ser procurados nas insuficiências de um processo que evoluiu bastante desde 1999, mas que ainda possui problemas. Como principais questões conjunturais, que aconteceram de um ano para cá, temos a certa “forçada de mão” que o governo e Chávez deram em alguns episódios.

O primeiro desses é a formação do PSUV, o Partido Socialista Unificado da Venezuela. É um partido criado de cima para baixo, que foi formado desta maneira pois não existem movimentos sociais autônomos na Venezuela. O partido tem 6 milhões de militantes, mas estes não compareceram às urnas – se o tivessem feito, as mudanças na Constituição teriam sido aprovadas. Há problemas na estruturação do partido e em sua participação no governo – Chávez diz que “quem está com ele está no PSUV”.

O governo Chávez tem uma característica de não ter sido resultado de movimentos de massa, mas sim de um cansaço popular com o projeto neoliberal das décadas de 80 e 90 e da crise vivida no país que não resultou em um crescimento da mobilização popular.

Isso fez com que não houvesse movimentos autônomos. O que existe são iniciativas políticas populares tomadas pelo governo.

O grau de fragmentação da sociedade venezuelana resultante dos 40 anos de democracia do Pacto do Ponto Fijo, estabelecido em 1961, e da crise estrutural enfrentada no país durante os anos 1980 e 1990 criou uma sociedade com um potencial de rebeldia muito grande, mas de escassa organização.

CC: Desde que foi levado ao poder, em 1999, Chávez não foi capaz de aglutinar os descontentes no país?

GM: Ele conseguiu aglutinar de certa forma, mas se vemos organizações como a UNT, central sindical do país, trata-se de uma organização sem vida autônoma, sem muita expressão.

Isso faz com que as mobilizações no país sejam apenas de apoio a Chávez, como observamos durante o golpe de 2001 e em suas vitórias nas eleições.

CC: Quais outros motivos contribuíram para a ausência de chavistas nas urnas?

GM: As brigas que Chávez comprou, algumas delas bem difíceis, também contribuíram. Criticar a Igreja Católica, às vésperas do referendo, foi muito danoso à sua imagem; todos sabem que a Igreja venezuelana é golpista, conservadora, mas chamar os bispos na TV de “vagabundos” provoca sentimentos no povo que são complicados. Ele começou a brigar com aqueles que, toda semana, estão no púlpito falando diretamente com seus fiéis.

A não-renovação da RCTV - que embora em mérito Chávez tenha sido corretíssimo ao não permitir a continuação das transmissões pela emissora - foi uma decisão tomada de maneira pouco pedagógica para a população. O presidente tinha a prerrogativa legal para não renovar a concessão, mas não foi feito um grande debate nacional sobre a democratização das comunicações, não foi criado um método para tornar tal fato uma questão de formação política, que informasse à população o que é um monopólio, a razão pela qual não deveria ser renovada a concessão da RCTV e qual a razão pela qual a rede não poderia participar de um golpe de Estado e continuar impune.

Não sei se a melhor maneira deveria ter sido levar o caso à Justiça ou à Assembléia nacional, onde Chávez também ganharia por ter quase a totalidade das cadeiras. Fazer isso por um decreto é incômodo – como explicar para a população que ela não terá mais a sua novela? Além disso, a emissora colocada no ar é de muito baixa qualidade, é uma emissora oficial no pior sentido da palavra.

Essas batalhas foram complicadas. No caso da discussão com o rei da Espanha, Chávez estava certo, então não foi um problema. Porém, a briga com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, veio em péssima hora; Chávez caiu em uma armadilha. De qualquer maneira, Uribe iria romper o diálogo com as FARCs, e o presidente venezuelano foi até condescendente demais ao levar a questão adiante. Uribe esperou para terminar o diálogo exatamente antes do referendo, procurando desgastar a imagem de Chávez.

Avaliações de colegas venezuelanos também dão conta de problemas internos do governo, de ineficiência de serviços públicos, questões administrativas. O fato é que essa derrota de Chávez não é o fim do mundo, mas sim um alerta. O presidente desfruta de uma popularidade igual a que tinha durante as últimas eleições, de algo em torno de 60%. O que aconteceu foi um desligamento dos setores moderados ou para o “não” ou para a abstenção.

Setores da intelectualidade que estavam com Chávez se abstiveram. Raúl Baduel, que faz parte de um setor chavista presente em várias situações nas quais o presidente precisou de apoio, resolveu puxar o freio de mão. É certo que havia divergências entre os dois, mas Baduel não é um opositor histórico, não é um golpista e não pode ser tratado como um traidor.

Há também um tratamento ruim dado pelo governo em relação ao movimento estudantil. O combate que se fez quando começaram as mobilizações foi falar que os estudantes eram “peões do império”; claro que havia manipulação, que havia estudantes filiados a partidos de direita, mas à massa que estava nas ruas não pode ser dado o mesmo tratamento que é dado aos dirigentes, pois têm um descontentamento difuso.

Além disso, a reforma constitucional foi mal conduzida, faltou debate. A proposta original de Chávez continha 35 itens a serem modificados, e a Assembléia Nacional agregou, desnecessariamente, outros 34. A proposta transformou-se em uma árvore de natal, complicada, e Chávez e a oposição forçaram que a consulta para a aprovação da reforma fosse um plebiscito sobre o próprio presidente.

Tais problemas, no entanto, não podem colocar em dúvida os aspectos positivos conquistados pelo governo na Venezuela. A própria direita está espantada com a situação, pois Chávez tem ainda cinco anos de governo pela frente e um poder de aglutinação imenso, sendo capaz de retificar todos os seus problemas para que não perca apoios importantes.

CC: Quais seriam esses aspectos positivos?

GM: Chávez tem feito um governo que, até aqui, mudou a face da América Latina. No essencial, o rumo do governo está correto, ao democratizar a sociedade, ampliar os poderes das camadas populares e da população indígena, reduzir a jornada de trabalho, acabar com a autonomia do Banco Central, proibir o latifúndio, fortalecer o Estado em seu caráter público, ao realizar as “missões” que serviram e servem de assistência a uma grande parcela da população venezuelana que sofria uma exclusão total.

O governo também colocou a questão social no centro da esfera de governo, algo que foi seguido por outros países na América Latina. Chávez mostrou também que é possível romper com o modelo neoliberal e distribuiu a riqueza do petróleo para a população, mesmo embora o Estado venezuelano ainda seja muito burocrático, muito corrompido, ineficiente.

A luta ideológica que faz também é de extrema ousadia. A Venezuela, um país pequeno, conseguir pautar as lutas na América Latina e servir de referência a outros países – não só Cuba, Bolívia e Equador, mas também a Argentina e o Brasil, por exemplo – é algo de extrema importância.

CC: A riqueza proveniente do petróleo torna tal tarefa mais fácil, não?

GM: Claro, com o barril de petróleo a 100 dólares, até você e eu faríamos a mesma coisa. Mas o fato de o petróleo estar valendo tanto se deu muito em função do próprio Chávez; é preciso lembrar que isso não aconteceu por mágica. Quando Hugo Chávez tomou posse, o custo do petróleo era de 9 dólares por barril, e a OPEP estava desarticulada. Em julho de 2000, o presidente convocou, em Caracas, uma reunião geral do cartel petrolífero, algo que não ocorria há mais de 30 anos; ali, a OPEP retomou a política de cotas, de restringir a produção para resguardar reservas e, assim, melhorar o preço de barganha.

Já no final de 2000, o petróleo estava a 22 dólares o barril. Houve, claro, um fator que estava além do controle de Chávez: o aumento brutal do consumo mundial, capitaneado pela China a partir de 2001.

CC: A questão da reeleição indefinida faz parte dos aspectos negativos da proposta de reforma constitucional?

GM: Isso não é um problema tão grande quanto a imprensa alardeia. É uma proposta dentro das regras democráticas, não é um golpe. A pauta da reeleição foi colocada na América Latina pela direita – Fernando Henrique Cardoso, que a critica, foi quem a iniciou no Brasil.

Há alguns regimes europeus atrasados, com reis, imperadores – muito mais atrasados que qualquer república de banana, pois mantêm uma dinastia com dinheiro público à toa –, onde primeiros-ministros ficam no poder enquanto têm apoio, como na Inglaterra. Chávez ficaria no poder enquanto tivesse apoio.

É importante dizer, também, que a Constituição brasileira, de 1988 para cá, sofreu mais de 50 mudanças votadas no Congresso – ou seja, reformas constitucionais qualificadas, feitas por governos neoliberais. Ninguém achou que isso era golpe, e foram feitas sem nenhuma consulta popular. As mudanças que Chávez tenta fazer foram levadas a um debate público, por meio de referendo. A direita precisa deixar de hipocrisia, pois ela nunca foi tão democrática quanto a Venezuela nos dias de hoje.

Como disse uma articulista da Folha de S. Paulo recentemente, Chávez, apesar da derrota nas urnas, ainda pode sair ganhando, pois o resultado da consulta prova que seu regime é democrático, que ele pode perder.

CC: As críticas da falta de democracia na Venezuela, então, são infundadas?

GM: O governo de Chávez é o melhor governo da América Latina, é extremamente avançado, e o presidente teve habilidade ao construir o seu governo.

Agora, trata-se de um governo muito pessoal. Se Chávez é assassinado, o processo venezuelano fica comprometido. Não se criou uma cultura chavista, mas sim uma cultura de agregados, de apoio popular difuso. Não existe um partido com um núcleo de elaboração política para o governo da Venezuela – aliás, a elaboração política e teórica do governo é muito pobre.

Hugo Chávez, porém, é um tático excepcional. Entre o que ele fez ao longo dos anos há coisas geniais. A maneira como dividiu a oposição na questão das telecomunicações ao fazer um acordo com Gustavo Cisneros é um ponto alto da tática política mundial histórica.

CC: Em face das estruturas políticas tradicionais que observamos em países em desenvolvimento, você acredita que lideranças carismáticas que flertam com o populismo são um dos caminhos possíveis para que se consigam mudanças?

GM: É errado dizer que Chávez flerta com o populismo; ele é, sim, um populista. Precisamos largar a teorização feita pela direita da ciência política e mesmo por pessoas de esquerda de que o populismo é um mal. O populismo não é uma escolha, é uma situação histórica dada.

No Brasil, durante os anos 30, época em que não havia uma cultura de instituições democráticas urbanas consolidadas e estávamos saindo da República Velha, do voto de bico de pena, o avanço que houve no país no campo econômico e a migração das pessoas do campo para a cidade não tinham nenhuma referência de convívio institucional. A referência era um líder carismático, Getúlio Vargas. Isso também aconteceu na Argentina e no México.

Na Venezuela, por conta da crise profunda vivida no final do século XX, as instituições existentes estavam virando fumaça. A única maneira existente de impedir que o país se auto-destruísse era a chegada ao poder de um líder carismático, populista. Não há nenhum problema nisso; existem, sim, componentes autoritários em um líder populista, mas, naquela situação, não havia alternativa.

Como não há movimento popular estruturado, uma das funções do líder populista foi cumprir o papel de solidificar essas pontas. Chávez é uma etapa histórica na construção de instituições democráticas sólidas, que espero que seja transitória.

É preciso tirar da cabeça que o populismo é uma coisa negativa. Mesmo chavistas dizem que o presidente não é populista, mas é sim. E isso não é uma coisa ruim. Quem diz que o populismo é ruim é a direita, até mesmo pelas características de fortalecer o lado popular da sociedade de um governo do tipo.

Um problema do qual lideranças populistas padecem é a sua incapacidade em organizar a sociedade. Isso faz com que não tenham substituto à altura. Para se manter no poder, tais líderes não podem ter competidores; na Venezuela é assim, não há substituto à altura de Chávez.

CC: Quais os rumos que você acredita que o governo de Chávez deverá tomar a partir de agora? Há mesmo essa possibilidade de o presidente sair fortalecido pois o resultado nas urnas reitera a democracia existente em seu governo?

GM: Inicialmente, o governo sairá enfraquecido. A direita, não só na Venezuela como também na Bolívia e no Equador, tentará se reanimar. Se o governo venezuelano conseguir resolver os seus problemas, reaglutinar suas bases, se reaproximar dos setores moderados que momentaneamente – espero – se afastaram de Chávez, pode se fortalecer, sim.

Chávez não deverá moderar os objetivos estratégicos do processo na Venezuela, mas sim aprimorar sua flexibilidade tática para conseguir conviver com diferenças internas. O país cresce a 10% ao ano, e é muito difícil Chávez cair com estes índices. Agora, se isso acontecer, será algo muito preocupante.

CC: Quais as diferenças principais entre o governo da Bolívia e o governo venezuelano?

GM: O governo de Evo Morales teve sua origem no movimento social, Morales era dirigente sindical, houve mobilizações impressionantes no país entre 2001 e 2004. Na Bolívia, diferentemente da Venezuela, existe uma mobilização popular – por isso a direita, lá, tem um grande problema. Não é um governo sem apoio.

CC: E quais as suas opiniões sobre as mudanças possíveis no Equador de Rafael Correa?

GM: Lá, temos um caso novo. Até agora, Correa venceu uma grande batalha ao conseguir convocar a Constituinte. O Equador tem problemas gravíssimos: não tem moeda própria, é um país pobre, que viveu intensas ebulições nos últimos anos. Elegeram um governo popular, que caiu e foi substituído por um governo de direita; agora, levaram outro presidente popular ao poder.

Parece-me, à distância, que a situação no país está tranqüila. Quando Rafael Correa for tocar em pontos nevrálgicos do sistema de dominação de classes, tudo pode se radicalizar; quando as propostas de reforma começarem a ser votadas, aí sim haverá enfrentamento.

05 maio, 2007

A DECISÃO DE CHAVEZ SOBRE A RCTV – COMO A GLOBO MENTE

Laerte Braga

O sindicato de trabalhadores do canal privado RCTV, na Venezuela, cuja concessão não foi renovada pelo presidente Hugo Chávez, denuncia em nota a pressão e a tensão geradas a partir do dono da empresa, Marcel Granier. A nota chama a direção da rede de tevê de “terrorista”.

É hilário ver a GLOBO através do JORNAL NACIONAL defender a liberdade de imprensa. A rede se caracteriza pela mentira e pela defesa de interesses que não dizem respeito nem ao Brasil e nem aos brasileiros. É a ponta de lança da Roça de Cana entre nós. Sua história foi construída ao longo desses 45 anos em que existe, em cima disso: mentira, farsa, manipulação.

A RCTV foi partícipe do que se chama o “primeiro golpe midiático” do mundo, constatado no documentário de dois cineastas irlandeses “a revolução não será televisionada” . O papel da rede na construção da mentira que derrubou o presidente Chávez em 2002, numa quinta-feira, mas não conseguiu impedir seu retorno no domingo, é confesso e mostrado sem nenhum pudor dos jornalistas que executaram o esquema montado pelas elites venezuelanas e por Houston.

Num determinado momento se mostra com clareza os próprios apresentadores de tele jornais das principais redes privadas da Venezuela, rindo e confessando toda a sorte de truques para tentar derrubar o governo Chávez. As notícias falsas, as armações, como prossegue, ao longo do processo de quatro dias, ignorando a presença de milhões de cidadãos venezuelanos nas ruas exigindo a volta de Chávez.

A GLOBO foi fundada com capitais do grupo TIME/LIFE, do ex-EUA (hoje Texas e estados agregados). Era o nome hoje do grupo TIME/WARNER. O seu papel, desde o primeiro momento ficou muito claro: vender o modo texano de vida para os brasileiros.

Ao longo de sua história não fez outra coisa que não isso. São fartos os exemplos da mentira global. Silenciou por todo o período da ditadura militar da qual era porta-voz e só rompeu com o esquema quando percebeu que o seu ciclo se encerrara.

Enquanto pode serviu. Serviu ao ignorar a campanha das diretas já. Serviu, posteriormente, no chamado processo democrático, a um presidente inventado pela própria rede, Collor de Mello, ignorando as manifestações de rua pelo impedimento do governante corrupto.

E, agora em 2002, usou e abusou de todas as formas possíveis de manipulação para tentar impedir a reeleição do presidente Lula. Mentiu e forjou um dossiê em cumplicidade com um delegado da Polícia Federal e empresários paulistas. Mentiu na tal Caravana da Cidadania mostrando dados falsos que levaram o governador do Paraná, Roberto Requião, a chamar a “jornalista” Miriam Leitão de “irresponsável” por mentiras e notícias falsas. A distinta e veneranda senhora engoliu a afirmação, pois mentiu e o fez deliberadamente.

William Bonner, o robô que apresenta e edita o tele jornal da emissora, carro chefe do jornalismo, JORNAL NACIONAL, chamou de “Homer Simpson” o telespectador brasileiro ao ser questionado por um professor da faculdade de Comunicação da Universidade de Campinas, sobre ignorar notícias que contrariassem os interesses texanos.

A manipulação é característica da rede.

No golpe contra Chávez, em 2002, a veneranda senhora Miriam Leitão passou uma semana em Caracas, duas semanas antes do dito golpe, fazendo uma série de reportagens para o JORNAL NACIONAL, onde se disse que o povo estava contra Chávez. Nem uma palavra sobre Chávez, num domingo, ter sido reconduzido ao poder por força das manifestações populares.

O fato não é isolado e nem é gratuito, como agora, apresenta dados falsos sobre a não renovação das concessões da RCTV, exatamente por Chávez ter tido a coragem de enfrentar golpistas manipuladores da opinião pública, como a GLOBO por aqui.

O governo Chávez não censura, nem violenta a liberdade de imprensa ao cassar os conais da rede RCTV. Exerce o direito legítimo de punir um grupo aliado a grupos anti-nacionais e cuja única preocupação é o golpismo.

Liberdade de imprensa não significa liberdade de mentir, de ignorar fatos, de manipular ou de transformar o tele jornalismo em espetáculo ora deprimente, ora festivo do mundo de plástico que criaram a partir das ranchos texanos.

Não existe revolta por parte dos trabalhadores na RCTV, exceto na elite padrão Miriam Leitão. A nota do sindicato mostra e deixa isso claro. Há um apoio preciso à decisão do presidente Chávez.

O que a GLOBO procura fazer refletir sobre o fato é apenas e tão somente a preocupação da mídia, hoje sob controle dos grupos que dominam países sul-americanos e atendem a interesses do capitalismo, de perder os seus espaços e serem enfrentados sem medos.

Há uma passagem no documentário “a revolução não será televisionada” que mostra isso de maneira clara. É quando na reunião dos opositores de Chávez, num bairro nobre de Caracas, o cidadão que dirige a dita reunião, alerta para os riscos que representam os “empregados domésticos”, ligados a grupos bolivarianos e que seriam “espiões de Chávez”. O preconceito manifesto de forma explícita e vergonhosa, ao vivo, sem disfarces e sem retoques.

O que são os veículos de comunicação em Roça de Cana? A família Marinho, a família Frias, a família Mesquita, a família Civita e mais duas ou três. Canais de tevê e rádio viraram moeda de troca política. Collor, ACM, Sarney, por exemplo, são parceiros da GLOBO nos seus respectivos estados. As tais redes afiliadas. Um sem número de deputados recebeu concessões de rádio e tevê em suas bases, para votar a emenda que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

A atitude de Chávez é correta, respeita a liberdade de expressão, mas enfrenta a mentira e a manipulação através de veículos cujos interesses não estão nessa liberdade. Mas nas mentiras das muitas Mirians Leitões espalhadas por toda a América do Sul.

Como são mentirosos os dados GLOBO sobre o fato.

Terminado com o retorno de Chávez o episódio do golpe montado pelas redes privadas de tevê em seu país, dentre elas a RCTV, um dos grandes empresários do setor, Cisneros, esteve no Brasil, tentando apoio para o referendo de agosto daquele mesmo ano, onde o governo Chávez seria julgado. Diga-se de passagem que o referendo, que permite ao povo opinar sobre o seu governo na metade do mandato, foi criação do próprio Chávez.

Por toda a semana que antecedeu o referendo a GLOBO divulgou pesquisas dos tais institutos “sérios e acreditados” afirmando que havia um empate técnico e que crescia o número dos que repudiavam o governo Chávez. Nos dois dias que antecederam a votação mudou o discurso. Ao invés de empate técnico, suspeitas de fraudes a serem cometidas pelo governo e seus partidários.

Terminada a contagem dos votos Chávez foi confirmado com mais de 60% dos votos dos venezuelanos. Jimmy Carter, enviado pelo governo do Texas para dizer que houve fraude não teve alternativa. Diante da lisura do processo de votação foi claro: “o governo foi legitimado pelo povo”.

Por trás de toda essa farsa que a GLOBO tenta transformar em verdade, estão os interesses das principais quadrilhas venezuelanas, parceiras das principais quadrilhas do crime organizado e legalizado. Bancos, grandes empresas multinacionais, a política terrorista e colonizadora de Houston, o mundo segundo a ótica do enviado divino George Bush.

O que Chávez fez ao não renovar as concessões da RCTV foi exercer o direito legítimo de livrar seu país de uma empresa a serviço desses interesses. É o que a GLOBO faz no Brasil.

Um exemplo a mais da manipulação e do comprometimento da GLOBO com grupos que controlam o Estado brasileiro: para noticiar o dossiê e forçar um segundo turno as eleições de 2006, o JORNAL NACIONAL ignorou um acidente, o maior acidente aéreo acontecido no País e noticiado duas horas antes por todas as outras emissoras de tevê, redes nacionais, no então Brasil, hoje Roça de Cana.

Era preciso, àquele momento, cumprir o papel de manipuladora. O acidente era detalhe perto dos interesses que a rede representa. A RCTV é a mesma coisa. O que difere é que Chávez toma atitudes.

19 janeiro, 2007

Chávez apóia ocupação no Brasil de empresas prestes a quebrar

Uma amostra do projeto socialista do presidente Hugo Chávez já cruzou as fronteiras da Venezuela e chegou ao Brasil. Mais precisamente a três fábricas no interior de Santa Catarina e de São Paulo.

As três empresas, do setor plástico, são administradas por funcionários ligados a um movimento, também de orientação socialista, que prega a "ocupação" pelos empregados de companhias prestes a fechar as portas, como uma tentativa de manter os postos de trabalho. As fábricas já receberam um carregamento de matéria-prima subsidiada do governo venezuelano. O lote para este ano deve chegar nos próximos meses, segundo a coordenação do movimento.

Chávez - que durante seu discurso de posse na semana passada disse que levará a Venezuela ao "socialismo do século 21" - é um entusiasta dessas "ocupações". E apóia, na Venezuela e em outros países latino-americanos, movimentos semelhantes. Há dois anos, chegou a declarar num encontro em Caracas: "Fábrica quebrada deve ser fábrica ocupada pelos trabalhadores" . Há dezenas de empresas ocupadas na Venezuela atualmente. Pelo menos 12 já receberam injeção de recursos do governo - algo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resiste em fazer, apesar da reivindicação dos trabalhadores das fábricas.


As empresas brasileiras beneficiadas por Chávez são Cipla , Interfibra (ambas em Joinville, SC) e a Flaskô (em Sumaré, SP). Ao todo, elas empregam 1.300 funcionários - 900 só na Cipla - e têm entre seus clientes grandes marcas como Mercedes-Benz e Petrobras .


O primeiro carregamento, de polietileno de alta densidade de sopro e de alto peso molecular de sopro, veio depois que representantes do chamado movimento das Fábricas Ocupadas participaram do 1 Encontro Latino-Americano de Fábricas Recuperadas por Trabalhadores, ocorrido em em outubro de 2005, em Caracas. Os brasileiros pediram e receberam a ajuda do presidente venezuelano, que participou do evento - e, à moda de Lula, posou com o boné do grupo brasileiro.


Pelo acordo, a Venezuela aceitou enviar o material com condições muito mais vantajosas do que as oferecidas pelos fornecedores brasileiros: um ano de carência antes do primeiro pagamento. A Braskem é hoje a principal provedora de matéria-prima para essas empresas.


"Estamos rediscutindo o fornecimento para este ano para as três fábricas. E, a partir de fevereiro ou março, teremos um novo carregamento" , diz Serge Goulart, coordenador do Fábricas Ocupadas.


Goulart - um veterano militante da esquerda brasileira e membro do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores - não revela qual a quantidade ou o valor das remessas venezuelanas. "Faz parte do acordo manter em sigilo alguns dados", disse.


Além do pagamento, a contrapartida brasileira envolve transferência de tecnologia e conhecimento para a Venezuela, em um projeto de construção de uma fábrica de casas populares feitas de PVC - a Petrocasa, que está prestes a começar a operar em Valência, no Estado de Carabobo - e de um estudo sobre um projeto para a fabricação de tubos epóxi para transporte de petróleo.


A ajuda de Chávez às três fábricas tem uma motivação muito mais ideológica do que econômica. "As riquezas naturais [petróleo e seus derivados, no caso o polietileno] são também para ajudar os irmãos da América Latina", disse ao Valor o cônsul venezuelano em São Paulo, Jorge Luis Durán Centeno. "A relação com as fábricas ocupadas é uma forma de ajudar a comunidade, de dar um tratamento diferente", acrescentou ele. Para Centeno, "o presidente Chávez teve uma sensibilidade ampla em ajudar esse tipo de iniciativa".


Centeno disse ainda que as relações internacionais são feitas geralmente em nível governamental, mas que os apoios de movimentos sociais de diversas partes do mundo ao governo Chávez está mudando esse quadro. "Chávez quer que esse movimento [de aproximação] não aconteça só em nível de governo."


No ano passado, numa demonstração rara da importância que as fábricas conquistaram em Caracas, Centeno esteve pessoalmente nas três fábricas ocupadas ao lado do então ministro da Indústria Plástica da Venezuela, Elias Jaua, atualmente ministro da Agricultura e da Terra. Foi Jaua quem iniciou o trabalho de apoio direto às indústrias recuperadas, segundo o cônsul. O movimento negocia agora diretamente com a petroquímica venezuelana Pequiven , com o aval de Chávez, e com a atual ministra da Indústria, Cristina Iglesias.


O diplomata afirmou ainda que Caracas tem prestado apoios a movimentos de ocupação de fábricas em outros países da região, mas disse não conhecer detalhes sobre esses laços. Movimentos como esses já existem na Argentina, no Uruguai, na Bolívia, no Paraguai e na Venezuela. Mas Chávez assumiu o papel de uma espécie de patrono dos grupos. "Chávez é o único governante da América Latina que está disposto a se envolver e ajudar as fábricas ocupadas", diz Goulart.


Por enquanto, o movimento brasileiro de "ocupações" tem apenas as três fábricas. Mas sabe que se houver mais adeptos, poderá continuar contando com o apoio de Chávez. Ao ser perguntado se há outras iniciativas como essa voltada para o Brasil, Centeno disse que não, mas avisou: "O governo está totalmente à disposição de ouvir outros pedidos de apoio."


Mais em www.fabricasocupada s.org.br



Empresa de SP ainda dá prejuízo e funcionários querem ajuda do Estado
De São Paulo
17/01/2007


Foto. Sergio Zacchi / Valor
O eletricista Antônio Rodrigues, da Flaskô: empolgação pelo estilo Chávez
Nos corredores da Flaskô, a única fábrica apoiada por Hugo Chávez em São Paulo, nada indica, à primeira vista, que a empresa é comandada pelos próprios funcionários. Ainda há chefes e operários, os horários dos turnos continuam sendo registrados, a equipe de vendas negocia normalmente com clientes e a fábrica está na fase final da certificação de ISO 9000.


Mas, por trás das aparências, há um processo de comando e decisão nada convencional numa economia capitalista. A instância mais alta é a Assembléia Geral, composta por todos os 95 funcionários. Abaixo dela está o Conselho de Fábrica, com membros eleitos, que fazem reuniões semanais. As decisões mais difíceis - como quais contas pagar ou sobre cortar o próprio repasse previdenciário - seguem para a Assembléia.


Em 2003, depois de meses sem pagar salário, com cortes constantes de energia por falta de pagamento e quilos de processos trabalhistas por sonegação previdenciária, os donos da Flaskô (e também da Cipla e da Interfibra), Luis e Ancelmo Batschauer, estavam a caminho de fechar as portas da fábrica. Juntos, os dois são alvo de 430 processos em Santa Catarina, muitos por sonegação previdenciária.


Os empregados da Flaskô decidiram passar a tocar a empresa para tentar conseguir os recursos referentes à dívida trabalhista. O Valor tentou, sem sucesso, falar os Batschauer. O movimento é contra criar uma cooperativa. Não querem assumir o passivo dos antigos donos e querem manter direitos trabalhistas.


A inciativa remonta a ocupações feitas por anarquistas, comunistas, socialistas na Europa nos anos 20 e nos anos 60 e 70. Na Flaskô, muitos funcionários são admiradores Chávez. "Se os patrões no Brasil continuarem a explorar e a embolsar, a resposta vai ser com a de Chávez, que está implantando o socialismo na marra", diz o eletricista Antônio Rodrigues, de 58 anos.


A empresa vive no vermelho desde antes de os funcionários a assumirem, em 2003. O faturamento mensal é de R$ 1 milhão, e as despesas, $ 1,2 milhão. Como a maior parte da dívida é com o governo, os funcionários querem que o Estado estatize as três fábricas, mantendo-as sob o "controle operário". A opção é descartada por Brasília. (M.M.S.)


"A opção é descartada por Brasília"...Mas perdoar a dívidas dos usineiros latifundiários pode né?? FDP´s