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14 fevereiro, 2009

História da Cultura Hip Hop

Hip-Hop é uma cultura que consiste em 4 subculturas ou subgrupos, baseadas na criatividade. Um dos primeiros grupos seria, e se não o mais importante da cultura Hip-Hop, por criar a base para toda a cultura, o DJing é o músico sem “instrumentos” ou o criador de sons para o RAP, o B.Boying (a dança B.Boy, Poppin, Lockin e Up-rockin) representando a dança, o MCing (com ou sem utilizar das técnicas de improviso) representa o canto, o Writing (escritores e/ou graffiteiros) representa a arte plástica, expressão gráfica nas paredes utilizando o spray.

O Hip-Hop não pode ser consumido, tem que ser vivido (não comprando roupas caras, mais sim melhorando suas habilidades em um ou mais elementos dia a dia). É um estilo de vida.... Uma ideologia...uma cultura a ser seguida...

A "consciência" ou a "informação" na minha opinião não pode ser considerada como elemento da cultura, pois isso já vem inserido às culturas do DJing, B.BOYing, MCing e Escritor/WRITing (Graffiteiros), ou seja aos elementos da cultura Hip-Hop, mais é válido para a nova geração, dizendo se fazer parte da cultura Hip-Hop sem ao menos conhecer os criadores da cultura e suas reais intenções.

As Raízes

A origem e as raízes da cultura Hip-Hop estão contidas no sul do Bronx em Nova Iorque (EUA). A idéia básica desta cultura era e ainda é: haver uma disputa com criatividade. Não com armas; uma batalha de diferentes (e melhores) estilos, para transformar a violência insensata em energia positiva.

Este bairro experimentou mudanças radicais durante os anos 60 por causa de construções urbanas mal planejadas (construíram uma via expressa no coração do Bronx, construíram complexos de apartamentos enormes) o que fez com que o bairro ficasse desvalorizado. A classe média que consistia em Italianos, Alemães, Irlandeses e Judeus se mudaram por causa da qualidade decrescente de vida.

Em vez deles, se estabeleceram afro-americanos mais pobres e famílias Hispânicas. Por causa da pobreza crescente os problemas causados por crimes, drogas e desemprego aumentaram.
No ano de 1968 sete adolescentes que se nomearam "Savage Seven" (Sete Selvagens) começaram a aterrorizar o bairro, criando assim a base para algo que dominaria o Bronx durante os próximos 6 anos: as Streetgangs (gangues de rua). Em pouco tempo apareceram outras gangues em todo o bairro, em todas as ruas e esquinas.

Algumas delas: Black Spades, Savage skulls, Seven Immortals, Ching Alling, Seven Nomads, Black Skulls, Seven Crowns, Latin Kings, Young Lords; muitos jovens poderiam ser vistos em todos lugares.

Depois que as atividades das gangues alcançaram o topo da criminalidade em 73, elas começaram a se acabar uma a uma. A razão para isto pode ser encontrada em níveis diferentes. As gangues estavam brigando, muitas estavam envolvidas em crimes, drogas e miséria. E muitos integrantes não quiseram mais se envolver com isso, o tempo estava mudando e as pessoas da década de 70 estavam à procura de festas em clubes, apenas diversão, dançar, curtir a música cada vez mais e mais.

O número de gangues cada vez mais estava diminuindo principalmente porque cada vez mais jovens estavam envolvidos com um movimento e se identificavam com alguma atividade. Pois a idéia básica era competir com criatividade e não com violência.

A força motriz de todas as atividades dentro dos 4 elementos era fugir do anonimato, ser ouvido e visto e espalhar o nome por toda parte. Se alguém quisesse melhorar suas habilidades teria que deixar de fazer coisas ruins (drogas, crimes, etc...) por todo tempo, teria que por sua energia a disposição da cultura e com isso ajudar a trazer mais adiante o próximo nível da Cultura Hip-Hop e desenvolvendo seus elementos cada vez mais inspirando novamente outras pessoas.

Kool Herc é por toda parte conhecido e respeitado como o "pai" da cultura Hip-Hop, ele contribuiu e muito para seu nascimento, crescimento e desenvolvimento.

Nascido na Jamaica, ele imigrou em 1967 (aos 12 anos de idade) de Kingston para Nova Iorque, trazendo seu conhecimento sobre a cena de Sound system (sistema de som, muito tradicional na Jamaica, seria um equipamento de som muito potente ligado na rua para atrair as pessoas).

Consigo também trouxe o "Toast" ao bairro do Bronx (NY), Clive Campbell seu nome de batismo, apelidado "Hercules" pelos alunos de sua sala de aula da escola secundária por causa da aparência física. Mas ele não gostou deste apelido e usou um atalho, criando, "Herc". Então quando ele começou a escrever (tag; assinatura) ele usou seu Tagname de "Kool Herc".

Herc deve ter dito muitas dificuldades para dormir durante a infância devido ao glorioso e grandioso volume libertado pelos sound systems, que batalhavam nas ruas pela atenção do público, cada vez se aumentava mais e mais o volume, quase a ponto de explodir, foi neste ambiente que Herc nasceu e viveu até os 12 anos...

Em meados de 73 ele chamou a atenção como DJ no Bronx, no princípio ele usou o equipamento de som de seu pai, em seguida construiu seu equipamento (auto denominado de Herculords) com enormes caixas de som e muitos seguidores. Em inúmeras Block Parties (festas feitas em blocos de apartamentos abandonados no Bronx e região – veja o filme Beat Street), festas em parques e escolas, logo depois ele fez suas próprias festas em clubes famosos como "Twilight Zone" e "T-connection". A razão do sucesso foi dada pelo fato de fazer as pessoas dançarem sem parar, ele seguiu a filosofia de Soundsystem de seu país, no principio não dando muito certo, tocando Reggae e outros ritmos jamaicanos, até que descobriu o Soul e Funk.

Passado algum tempo, teve um sistema de som mais pesado e mais alto que todos os outros, por outro lado (e provavelmente a razão mais importante) ele criou e desenvolveu uma técnica revolucionária para girar os pratos dos tocas discos.

Ele nunca tocou uma música inteira, mas só a parte que as pessoas mais gostavam: O Break - A parte onde a batida foi tocada da mais pura forma. Os "Breaks" das canções eram só alguns segundos, ele os ampliou usando dois toca-discos com dois discos iguais, dando o nome de Break-Beat, o fundamento musical para B.Boys e B.Girls (Breaker-boys, Breaker-girls: dançarinos que se apavoravam dançando durante estes Breaks) e os MC's (Os Mestres de Cerimônias, artistas no microfone que divertem as pessoas fazendo-as dançar com suas rimas), às vezes comparável ao "Toast" jamaicano, Kool Herc usou algumas frases para fazer as pessoas dançarem e dar boas vindas aos amigos. Mas quando os misturava as batidas ficavam mais complicados, mais concentração, assim foi entretendo a multidão, ficando complicado fazer várias coisas ao mesmo tempo, com o microfone não era mais possível, ele passou o microfone para 2 amigos que representaram o primeiro time de MC: Coke La Rock e Clark Kent. Kool Herc e o soundsystem incluíam os 2 amigos no microfone, ficando em seguida conhecidos por toda parte como "Kool Herc and the Herculords".

Alguns dos breaks mais famosos, foram: Incredible Bongo Band com Apache, James Brown com Funky Drummer e Give it up or turn loose, Herman Kelly dance to the drummers beat, Jimmy Castor Bunch com It´s just begun entre tantos outros...

Afrika Bambaataa (ou Kahyan Aasim - nascido 1957) também tem seu papel de importância no surgimento da cultura Hip-Hop, é por toda parte conhecido e respeitado como o "padrinho" ou o "avô" da cultura Hip-Hop, reunindo tudo e propondo a base para a cultura. Era membro e líder de uma das maiores gangues, "Black Spades" também era um colecionador de discos fanático. Embora já estivesse trabalhando como DJ em festas desde 70, ele adquiriu mais interessado pela cultura Hip-Hop depois de ter visto Kool Herc nos toca-discos em 1973 e assim foi DJ no "Bronx River Commity Center" onde teve seu próprio soundsystem. Ao mesmo tempo a gangue dele começou a desaparecer, logo depois formou uma pequena ONG chamada de "Bronx River Organization" que logo após passou a se chamar "The Organization", por ter feito parte uma gangue anteriormente ele teve um publico fiel que consistiu em membros de gangues anteriores.

Por volta de 74 ele reorganizou "The Organization" e renomeou de "Zulu Nation", inspirado pelos estudos feitos sobre a história africana (ele ficou impressionado pelos "Zulus" pois lutavam com honra e armas simples contra o colonialismo e o poder, apesar de aparentemente inferiores). 5 dançarinos uniram-se a organização usando o nome de "Shaka Zulu King" ou simplesmente "Zulu Kings" com os gêmeos "Nigger Twins" eram eles os primeiros B.Boys sempre gritando de alegria. A "Zulu Nation" organizou festas e reuniões a qual os membros, principalmente Afrika Bambaataa passou o conhecimento sobre a cultura Hip-Hop para as pessoas, como era possível dar as pessoas uma alternativa para a saída das gangues e drogas.

Love Bug Starski foi quem propôs a junção dos elementos da cultura Hip-Hop, foram Afrika Bambaataa e a Zulu Nation que uniram os elementos diferentes e os formaram para uma única cultura.

A idéia de Afrika Bambaataa era transformar o negativismo das gangues em energia positiva, pois perdera o melhor amigo em uma guerra das gangues, no tempo que fizera parte de uma gangue. Cansado disso, pensou em fazer algo para mudar esta situação, as pessoas estavam cada vez mais ocupados com o Hip-Hop, em mostrar suas habilidades da melhor forma possível nas festas.

GrandMaster Flash completa a trilogia dos DJ´s pioneiros, o terceiro DJ mais importante do inicio da cultura Hip-Hop, teve a brilhante idéia de incluir artesanalmente a sua mesa de mixagem um botão (cross-fader) que lhe permitia passar de um disco para outro sem haver quebra de som. Aprendendo com Herc que os breaks de Funk eram o combustível preferido dos B-Boys e com Bambaataa onde os ir buscar, Flash incendiou tudo ao trazer para o palco os “skills” (capacidade tecnica de misturar os discos e faze-los fluir de forma irrepreensivel.

O MC começou por ser uma mera sombra do DJ, limitado a empolgar ao microfone as pessoas, que lhe pagava o ordenado e funcionando quase como “locutor de festas” ou mestre de cerimónias que não só usava o microfone para comunicar à multidão qual a última celebridade do gueto (ghetto celebrity) a entrar no clube (“hey ya’ll, my man Timmy T is in the house!”) como também tinha um papel importante, deixava todos saberem que havia uma mãe à espera do seu filho à porta (“yo, Little Jimmy, stop spinnin’ and head to the door!”). Com o tempo, as rimas foram ficando mais elaboradas, mais complexas e, tal como os “skills” do DJ lhe davam popularidade, as habilidades do MC ao microfone começaram a ser decisivas para arrancar aplausos da multidão.

Bem, assim seria o Hip-Hop para muitos, DJs descobrindo e criando os break-beats, MC's rimando, B.Boys dançando e a maioria dos membros da cultura Hip-Hop também eram escritores. Bambaataa os usou para espalhar sua mensagem, "lutar com criatividade, não com violência!" Com a integração dos 4 elementos da cultura Hip-Hop, a vontade de competir era geral, empurrando todos permanentemente a melhorar e ser o mais criativo possível.

Assim, era como uma lei não escrita, que, todo mundo criava seu próprio estilo, sem copiar o próximo, sem roubar as idéias do outro. Outra lei respeitada era: Paz, unidade, amor e divertimento. A base para os diferentes elementos já estava pronta, mas com a integração da cultura Hip-Hop foi acelerado o desenvolvimento rapidamente dos elementos.

Texto escrito Por Bruno Ventura (DJ Groovy) com apoio do grupo Spartanic Rockers e Hit da breakz - para o site da Conspiração Subterrânea Crew
Para ler mais sobre a história do Hip Hop, acesse www.consubter.rg3.net
Este texto foi autorizado pelo autor. >> bruno_deejay@yahoo.com.br

07 julho, 2007

USP: um movimento vitorioso

Emir Sader

A greve e invasão da Reitoria da USP chega a seu final com vitória dos estudantes, funcionários e professores mobilizados pelos interesses públicos da universidade. Fazia tempo que um movimento dessa ordem não conseguia tanta adesão – das três categorias -, tanta repercussão política, tanta simpatia da população e, como resultado, uma vitória tão clara.

Seus participantes diretos estão de parabéns, deram uma lição de mobilização popular, de espírito de defesa da universidade pública, de criatividade de métodos de ação e de capacidade de negociação política – intermediados pela excelente comissão de professores que serviram como facilitadores. A USP, seus professores, estudantes, funcionários, tem que sair muito contentes e incentivados a seguir na organização e na luta pelo fortalecimento do caráter público da USP.

Grande parte das reivindicações internas à USP foram conseguidas, foi freado o projeto do governador de São Paulo para violar mais ainda a autonomia universitária, foi impedida a intervenção militar preparada pelo governo tucano no campus da universidade, foi chamada a atenção sobre a situação da USP e ficou claro que há força entre os estudantes, professores e funcionários, para defender os interesses da universidade. O que não é pouco em tempos de grandes desmobilização – em particular da juventude -, de ataques sistemáticos às universidades públicas – veja a violenta ação da polícia em Araraquara -, de ideologia da privatização do ensino, de mídia que desqualifica tudo o que é público, de desvalorização das mobilizações e das lutas de massa diretas.

O ódio concentrado da direita e de seus porta-vozes, a ação totalitária da mídia contra a mobilização servem para confirmar como ela tocou em um ponto sensível do neoliberalismo – a autonomia das universidades públicas – e como incomoda ao coro uniforme dos papagaios bushistas na imprensa oligárquica. Saem derrotados, uma vez mais.

É assim que se combate ao neoliberalismo. Com um Congresso como o do MST, em Brasilia, com 18 mil participantes fazendo um balanço sério e profundo das lutas pela reforma agrária e elaborando novo plano político e de massas para dar seguimento a suas lutas –que são as de todo o Brasil – e com mobilizações como a de 50 dias na USP. A ação desinformadora da mídia oligopólica, o enfoque redutivo nos escândalos no Congresso, a desqualificação de tudo o que não seja neoliberal – saem derrotados dessas mobilizações. Querem demonstrar que as lutas não valem a pena, que estão derrotados de antemão, que não há força contra o poder do dinheiro e o do monopólio da palavra que pretendem exercer.

Quando as lutas unificam, fortalecem a confiança em todos de que governos prepotentes como o de São Paulo podem ser derrotados, que as mobilizações populares previsam ser revigoradas, com uma nova plataforma anti-neoliberal, que articule reivindicações dos mais amplos setores sociais, que concentre seus esforços na ruptura do modelo predominante e proponha não apenas objetivos, mas meios pelos quais chegar até eles.

O pós-neoliberalismo terá no fortalecimento da esfera pública um eixo fundamental de reorganização do Estado e de sua relação com a sociedade no seu conjunto. Nessa direção, a vitoriosa luta dos estudantes, funcionários e professores da USP pode ser um passo na construção da força social e política do movimento popular brasileiro.

Por uma juventude anticapitalista para o PSOL do Rio de Janeiro!

Podemos e devemos construir uma juventude ampla, democrática e anticapitalista, que tenha acordos programáticos específicos sobre os mais diversos temas que afligem a juventude. A juventude do PSOL não deve ser pautada apenas pelas demandas existentes nas frentes em que já atuamos "tradicionalmente", em especial no movimento estudantil: acreditamos que as divergências táticas existentes nas frentes de atuação devem ser tratadas prioritariamente nesses espaços e não no PSOL.

Dessa forma, um dos pontos que devemos avançar é sobre nossa concepção de juventude. A juventude do PSOL deve levar em consideração os anseios e potencialidades da juventude do Rio de Janeiro, que em sua grande maioria encontra-se fora de espaços autônomos de organização política, participando de outros locais de convivência e socialização, como nas igrejas, ONG´s, torcidas organizadas, associações comunitárias, entre outros.

E dentro dessa perspectiva, um tema central é a violência policial e o tráfico de drogas. Em especial na parcela da juventude habitante das favelas, a repressão policial e os confrontos existentes entre estes e facções do tráfico tornou-se um drástico problema cotidiano no Rio de Janeiro, que leva a morte centenas de jovens. É importante lembrar que nenhum jovem de nenhuma comunidade tem em sua casa uma fábrica de armas super modernas ou uma refinaria de drogas, o que tem um alto custo, e devemos portanto debater sobre a questão de quem financia o tráfico e suas mazelas.

O partido de conjunto e em especial a juventude tem a tarefa urgente de construir uma forte campanha contra a redução da maioridade penal, haja vista que se trata de uma contra-ofensiva da burguesia nacional e da mídia, que criminaliza e marginaliza a juventude, como se a juventude fosse a causadora dos problemas sociais e não vítima.

Deve fazer parte da juventude do PSOL a tarefa do combate intransigente à violência policial – que não é fruto de alguma política pública errada ou ineficaz, e sim uma política seletiva de eliminar quem cria problemas a uma determinada ordem de coisas, ao mesmo tempo em que "dá o recado" aos segmentos mais pauperizados da classe trabalhadora, os quais são vistos enquanto inimigos potenciais da ordem estabelecida. Além disso, ao fim de décadas de proibição e de repressão do consumo de drogas, está mais que à vista a falência desta perspectiva.

Entretanto , atualmente a maior expressão do PSOL na juventude é a atuação no movimento estudantil. Nele, lutamos em defesa radical da educação pública, nos colocando contrários à Reforma Universitária encaminhada pelo Governo Lula e em oposição à direção majoritária da União Nacional de Estudantes, braço do Governo no movimento, através da construção da Frente de Oposição de Esquerda, a FOE-UNE e a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária;

O novo processo de lutas que se abriu nas Universidades, cujo centro são questões imediatas como assistência estudantil, democracia interna, falta de professores e técnicos, etc, promoveu lutas e vitórias, como no caso da ocupação da Reitoria da Unicamp. A longa ocupação da Reitoria da USP simboliza que começamos a entrar numa fase importante da luta estudantil no Brasil, o que pode ser percebido no caráter massivo e radicalizado da ocupação, das assembléias e atos públicos da greve estudantil. Seguindo esse exemplo, estudantes de outras Universidades vem retomando as mobilizações, como, no caso da Rio de Janeiro, da UFRJ. Mesmo sem o apoio do DCE, mais de 400 estudantes ocuparam a Reitoria e conseguiram importantes vitórias como barrar a aprovação do REUNI, o qual reestrutura as Universidades transformando-se em imensos escolões, duplicando a proporção entre professor-aluno nestas instituições. Nosso partido foi parte de várias dessas ocupações e temos que ver como aproveitamos e impulsionamos com toda força novos processos de luta para derrotar a Contra-Reforma Universitária do Governo Lula.

Também devemos cobrir de solidariedade todos os estudantes em luta que agora sofrem perseguições das reitorias e Governos, com processos administrativos e inquéritos policiais, enquanto os verdadeiros delinqüentes nacionais continuam soltos e sem nenhuma punição, vide o caso dos bezerros de ouro do Senado envolvendo o Presidente da casa Renan Calheiros e o Senador Roriz.

No Rio de Janeiro, em 28 de março, mais de 5 mil estudantes secundaristas ocuparam a Rio Branco lutando contra o fim do passe livre, iniciando uma jornada de lutas contra a máfia do transporte, que querem acabar com esse direito. Na organização dessa mobilização, o núcleo de secundaristas do PSOL teve um papel fundamental, demonstrando assim que os militantes do partido estão em consonância com as aspirações dos estudantes. Achamos que PSOL deve ter papel de destaque nessa luta.

Dessa forma, a Juventude do PSOL deve avançar ainda no debate e atuação sobre as opressões especificas, como o machismo, o racismo e a homofobia, e na ampliação de uma intervenção ecossocialista. Uma juventude que se propõe a abarcar uma visão ampla, que tenha relação com os problemas reais de nossa sociedade, não pode deixar de lado as lutas emancipatórias e ecológicas.

Propostas para o Setorial no Rio de Janeiro:

a) - O I Congresso do PSOL do Rio de Janeiro reconhece o Setorial de Juventude do PSOL como órgão partidário, bem como sua auto-organização (formulação e definições);

b) - Uma forma de iniciarmos a construção do setorial na prática é a construção de grandes campanhas que tenham como norte temas que afligem diretamente a juventude, como a redução da maior idade penal.

c) - Devemos indicar a construção de um Encontro de Fundação do setorial de Juventude do PSOL no Rio de Janeiro, que terá como tarefas: avançar na concepção de juventude do PSOL, apontar as principais frentes de atuação e as tarefas para o Setorial, bem como discutir e encaminhar elementos de organização que colaborem para a intervenção junto aos movimentos sociais;

d) - As deliberações do Encontro de Fundação deverão ser tiradas o mais consensualmente possível, como resultado de intenso debate e acúmulo coletivo da juventude, a exemplo do Encontro Estadual de Juventude do PSOL-SP, realizado no primeiro semestre de 2007;

e) - A data do Encontro de Fundação deverá respeitar a agenda dos movimentos sociais nos quais atuamos (ex: Conune e Conubes), acontecendo prioritariamente antes do Encontro Nacional de Juventude do Partido.

f) - O PSOL precisa garantir através de suas instâncias a estrutura necessária para realização do Encontro da Fundação (ônibus, alojamento, etc);

g) - O Formato deste Encontro e seu regimento interno deve ser deliberado numa plenária de Juventude Estadual do PSOL do Rio de Janeiro, amplamente divulgada, respeitando assim sua auto-organização. Devemos garantir a autonomia do setorial inclusive na construção de propostas alternativas ao que se encaminha sobre o Encontro Nacional. Devemos indicar também, portanto, que esta plenária faça um balanço da deliberação sobre Setorial de Juventude existente no Congresso do PSOL.

15 março, 2007

Juventude e Militância

26/02/2007
Em sua “Carta à Juventude”, composta por apenas três parágrafos, Trotsky trata duas questões de maneira bem breve, porém com muita profundidade: Juventude e Militância. Já no segundo parágrafo desta carta, muitos se confundem quando ele se refere aos “velhos de 20 anos”. Obviamente ele não pretendia estabelecer uma caracterização etária. Mas se referia, na verdade, àquela parcela da juventude que não tem disposição de se entregar, aos jovens sem ânimo, sonhos e sem fé.
Um partido, sindicato, campo político, grupo terrorista ou qualquer outro tipo de organização que pretende mudar a sociedade, não sobrevive sem militância. Sem essas pessoas dispostas a se sacrificarem, capazes de decidirem e certas de que não receberão nada de material em troca, as organizações e organismos não justificam sua existência.
Juventude e militância não são, portanto, termos nominais. Possuem vida, dialética. Muitos se declaram “militantes” ou “revolucionári@ s” apenas por pertencerem a um grupo ou entidade ou por estarem filiados a qualquer partido. Da mesma forma muitos idosos declaram-se “juventude” apontando em suas carteiras de identidade mostrando terem menos de 30 anos.
Durante a revolução russa, muitos jovens assumiram papeis de protagonismo, mesmo antes dos 20 anos. O estado socialista cubano possui em sua gerência e nos ministérios parcelas de jovens da geração pós revolucionária. Os “velhos de 20 anos” eram os que ficavam dentro das salas de aula enquanto a revolução acontecia. Eram os que ficavam em casa guardados por Deus. Eram os homens que não sonhavam com a tal “socialização dos meios de produção”, mas sim com um bom emprego, bem remunerado, uma esposa “politicamente correta” e um automóvel. As “velas de 20 anos” eram as que, ao invés de reivindicarem a emancipação e seus direitos, reivindicavam bons casamentos, marido carinhoso, filhos graciosos e um microondas.
Os partidos socialistas e organizações revolucionárias estão abarrotadas de “velh@s de 20 anos”. Mais precisamente aquel@s “filiados” e “filiadas”. Que optam sempre pelas tarefas mais simples e que não se aprofundam na teoria, ou aqueles esquerdistas que acham que o radicalismo se mede através do discurso “soprano”, enfim, o discurso que dá o tom mais alto. Se reivindicam donos da tradição leninista, mas evitam quase sempre participar das ações combativas e de massa.
Já sobre a militância, na mesma carta Trotsky nos ensina que “o sacrifício somente não é suficiente. É necessário ter uma clara compreensão do curso dos acontecimentos e dos métodos apropriados para a ação”. Eu diria, inclusive, que isso é o mais importante para qualquer militante, e concordo que a compreensão dos acontecimentos e dos métodos de ação, só é obtida através da teoria e da experiência. Decepcionam- se, pois, os meros tarefeiros, bate-estacas ou agitadores! Para todos os herdeiros de Marx, “sem teoria revolucionária, não existe ação revolucionária” .
Sobre experiência, mais uma vez não nos referimos à idade. Muitos velhos de partido ou sindicato ainda não atingiram essa compreensão de que nos referimos. Mas esse tipo de compreensão, experiência e teoria são imprescindíveis à juventude revolucionária. Sob pena de “baterem com a cabeça na parede e converterem- se em burocratas velhos de 20 anos”. Essa tarefa é difícil, mas cabe a nós cumpri-la bem!
É certo que representamos uma parcela da juventude mais resoluta. É certo que as dificuldades da militância hoje são diferentes das de quando Marx escreveu n´O Manifesto Comunista que a liberdade dos jovens está condicionada a sua independência econômica para com os pais e familiares. Ainda hoje temos esse problema, porém uma enorme parcela da juventude já se emancipou economicamente, e hoje luta contra um turbilhão de novos entrepostos: O dinheiro, o capital, trabalho e as usurpações do capitalismo.
Conversando ontem com um amigo anarquista bem eclético, percebia seu desespero em tentar encontrar novas formas de mobilizar as pessoas, atrair os jovens e se comunicar com os vários setores do movimento estudantil. Mas será mesmo esse o nosso maior problema? Acreditar nisso seria subestimar o capital. Seria ainda desconsiderar o elemento mais fundamental dos nosso problemas. O fato das pessoas não quererem nem saber. Centenas de páginas em O CAPITAL problematizam esses fetiches, a aparência, a essência e etc. Mas não entrarei nesse mérito aqui. Não citarei Marx, nem Lênin, nem Trotsky, nem Gramsci e nem o Osvaldo Coggiola (risos). Citarei algo mais poético. Mario Quintana disse uma vez que: “O maior de nossos problemas é que ninguém tem nada a ver com isso”.
Existem vários níveis de comprometimento com essa causa, que não é nossa, mas que abraçamos. Utilizamos cursos de formação, seminários e etc, para tentar produzir e reproduzir organicidade. Porém nesse final de texto abandonarei o meu objetivismo, próprio dos instrumentais que recebemos para analises, para lançar uma afirmação questionadora. Abandono sem remorso, pois abandono ao mesmo tempo a perspectiva da totalidade, para dizer a companheiros, companheiras, camaradas, amigos e amigas: Cabe a cada um decidir a qual nível de comprometimento pertencerá. Cabe a cada um aqui decidir se será parte da solução, ou se será parte do problema. Se seremos velhos de 20, 22, 24 ou 25 anos, ou quem sabe se seremos um dia jovens de 70, 72, 74 e 75 anos.
T.


"Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão"
Tadeu Guerzet
Contraponto
Ciências Econômicas
DCE - UFES

03 novembro, 2006

Todo repúdio à truculência e ao desrespeito da Policia Militar de Sergipe para com o movimento estudantil da UFS e de Sergipe

Manifestação de estudantes! Luta por um sistema de transporte que não seja excludente e tenha tarifas justas! Luta pelo nosso direito ao passe livre! Quinta-feira, dia 26 de outubro, Dia Nacional de luta pelo passe-livre.

Depois de encerrada mais uma manifestação com cerca de 300 estudantes, promovida pelo Movimento Passe Livre, com o apoio do DCE-UFS, ocorrida nas ruas do Centro de Aracaju, palco legítimo das reivindicações estudantis, a Polícia Militar de Sergipe demonstrou toda sua truculência e desrespeito para com o movimento estudantil de Sergipe.

Quando só restavam cerca de 15 estudantes no terminal rodoviário do Centro, a PM deteve, de forma arbitrária e sem nenhum motivo, um dos manifestantes que já se encontrava dentro do ônibus para sair do local e, diante disso, os outros manifestantes foram tomar conhecimento do por quê da detenção e tentar impedir a continuidade daquele ato arbitrário da PM. Como se não bastasse, os policiais detiveram mais 2 estudantes, inclusive um membro do DCE-UFS.

O mais absurdo aconteceu quando os dois advogados do Movimento, atuantes na área de Direitos Humanos, ao chegar no terminal foram agredidos e um, inclusive, também foi detido. Já na delegacia, a PM deteve mais outro advogado que tinha sido designado pela OAB para cuidar do caso.

Saldo de uma manifestação estudantil legítima, pacífica e necessária: 3 estudantes e 2 advogados no exercício de suas funções passaram cerca de 4 horas detidos na delegacia. Fatos dignos da ditadura militar e que atentam diretamente ao direito que todos e todas possuímos de nos organizar e lutar por nossos direitos.

Desse modo, o DCE-UFS, Gestão “Amanhã há de ser outro dia” repudia todos estes atos de truculência e arbitrariedade e exigimos punição à Policia Militar do Estado de Sergipe, respeito ao Movimento Estudantil e aos advogados defensores das causas populares.

Além disso, reafirmamos que não nos intimidaremos com qualquer tipo de repressão e que continuaremos com nossas lutas, no verdadeiro palco de reivindicações que são as ruas.

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe
DCE/UFS - “Gestão Amanhã há de ser outro dia”

30 de outubro de 2006




Reggae e Socialismo: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Voto Helo?sa Helena - Sergipe: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Fotolog: http://ubbibr.fotolog.com/mgabriel/

Nota de repúdio

É com muita tristeza e indignação que o CASR, Centro Acadêmico Silvio Romero, entidade de representação legítima dos estudantes de Direito da UFS, declara todo seu repúdio à polícia militar sergipana por mais um episódio lamentável de arbitrariedade e truculência.

No dia 26 de novembro último, militantes do MPL – Movimento Passe Livre foram às ruas de Aracaju protestar contra o sucateamento e a mercantilização do transporte público, bem como reivindicar direitos, tais como o acesso e permanência na educação e a conquista efetiva do passe-livre para estudantes, que embora assegurado na constituição federal e na lei de diretrizes e bases da educação – LDB, não vem sendo cumprido.

É importante ressaltar que assim como todos os atos do movimento, a iniciativa foi pacífica e nesse sentido correu toda a manifestação. O que não ficou ao lado da paz e do diálogo, mais uma vez, foram as atitudes da PM de Sergipe. De forma desrespeitosa e com abuso de força e autoridade é que a PM tratou os estudantes e trabalhadores que lutavam pelos seus direitos.

Tudo começou com a prisão, já com a manifestação encerrada, de um militante do movimento sem qualquer explicação. Em seguida os outros integrantes do MPL foram saber a causa da agressão e prisão e nesse instante foram surpreendidos com mais duas prisões, sendo uma delas de um estudante de direito da UFS. Como se não bastasse, foram agredidos mais dois advogados que chegaram no intuito de amenizar o conflito, dentre os quais um acabou sendo preso no pleno exercício de sua atividade.

Diante desse quadro ditatorial da PM sergipana, os estudantes de direito da UFS não podem deixar de declarar total repúdio a esse fato. Vale salientar ainda, que embora essas atitudes sejam corriqueiras no tocante ao tratamento da PM com os movimentos sociais, os estudantes não se intimidarão e não sairão das ruas até que consigamos realizar uma sociedade mais justa e fraterna que incorpore todos os nossos direitos.

Abaixo a repressão! É passe-livre já!

CASR - Centro Acadêmico Sílvio Romero – Direito/UFS
Gestão – Travessia: Porque nossos caminhos são de pedras.



Reggae e Socialismo: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Voto Helo?sa Helena - Sergipe: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Fotolog: http://ubbibr.fotolog.com/mgabriel/

07 julho, 2006

Educação: direito universal!

Defender a educação pública é defender o acesso e a permanência de todas as pessoas a um direito garantido na Constituição Brasileira. Esse direito foi conquistado pelo povo, que organizado lutou para ter o amparo da lei e poder reivindicar que o dinheiro gasto em impostos fosse revertido em seu benefício da maioria da população.
No entanto, o que o povo brasileiro vivencia atualmente é o mais absoluto descaso com a educação pública. Hoje, os jovens que estudam em escolas públicas se sentem em condições desiguais de aprendizagem e de, no mundo competitivo, conseguir se inserir na universidade e encontrar um emprego. Ao olhar o quadro da educação no país, vem a pergunta: porque tantos adolescentes sequer terminam o ensino fundamental? A resposta não é simples, há uma série de condições que determinam o rumo do futuro dos jovens do país, mas uma delas é evidente: o fantasma da falta de perspectivas pro futuro. Além disso, muitos têm que deixar os bancos escolares para garantir, parcial ou totalmente, o próprio sustento da família. Portanto, pensar a educação em um país como o Brasil, em um território de tantos contrastes, não pode deixar de levar em consideração as condições de vida a que estão submetidas a classe trabalhadora.

Assim, brigamos para que os governos estaduais, municipais e federal, o Estado, invistam na educação pública.

E o que vem a ser isso?
Para investir na educação é preciso um olhar atento a todas as condições de sucateamento a que ela vem sendo submetida. Como garantir qualidade quando, por exemplo, um professor de 1ª a 4ª série recebe a ínfima quantia de “R$360,50 + auxílio transporte” como salário mensal? Os professores são trabalhadores que merecem o mais alto reconhecimento social por seu trabalho. Mas, quem pode desenvolver um bom trabalho sob estas condições?
Além disso, ainda temos a precariedade na infra-estrutura, a falta de equipamentos, a falta de manutenção, a falta de aprimoramento e assessoramento profissional dos docentes. Além disso, soma-se a depredação do patrimônio público que na maioria das vezes incide na culpabilização individual dos jovens. No entanto, cabe perguntar: se eles estão sendo violentos, quais são as violências a que são submetidos no dia a dia? Qual a relação que a escola e os professores tem estabelecido com esses jovens? Qual a relação entre o conteúdo da sala de aula e seus problemas cotidianos? A escola é um espaço público e democrático?
Outro ponto fundamental é que o planejamento e o investimento público levem em conta tanto a qualidade de ensino como o acesso e a permanência do estudante. Por esse motivo devemos pensar na sua condição social da juventude; muitas vezes o estudante é um trabalhador ou uma trabalhadora, é mãe, é pai. Por esse motivo entendemos a importância de que seja estabelecido o Passe Livre para todos os estudantes e trabalhadores desempregados. Pois o direito a educação não pode ser garantido se os estudantes não têm acesso ao transporte.

E as Universidades?

A Universidade é um espaço estratégico para o desenvolvimento de qualquer nação; não estamos falando aqui somente de desenvolvimento econômico, mas de geração de conhecimento que beneficie a população, que atenda as necessidades da classe trabalhadora e que torne a tecnologia desenvolvida acessível a todos. Por isso, defendemos a Universidade Pública, Gratuita, de Qualidade, que produza conhecimento público e que seja do acesso de todos. E é por esse motivo que queremos chamar a atenção da sociedade para o que está sendo feito com o Ensino Superior no país.
Há algum tempo a legislação que regula o Ensino Superior vem sendo alterada, mudando as regras no que diz respeito ao seu financiamento, as modalidades de ensino, ao desenvolvimento da produção de conhecimento, etc. Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, por exemplo, tivemos o reconhecimento legal dos cursos à distância. A essa e outras mudanças chamamos Reforma do Ensino Superior.
No entanto, os estudantes e professores, organizados no movimento estudantil e nos sindicatos, tem lutado historicamente por uma Reforma que garantisse a qualidade de ensino, pesquisa (produção de conhecimento) e extensão (intervenção na realidade a partir do conhecimento adquirido) e para assegurar a autonomia da universidade. No ano de 2002 a eleição de Lula a presidência da república parecia favorecer esses anseios, mas o que aconteceu foi a aprovação de uma série de leis, todas por medidas provisórias e sem debate algum com a sociedade, que contrariam toda a luta travada até então.
Hoje a realidade do Ensino Superior no Brasil é de sucateamento da Universidade Pública e o crescimento de instituições particulares. O que se esperava deste governo era o investimento urgente nas instituições públicas e uma política que regulasse o ensino pago. Mas ao contrário disso, o que se tem é um incentivo ao crescimento de instituições pagas e à busca de recursos privados dentro das Universidades Públicas.
Por alegar que não há recursos suficientes para investir instantaneamente na Educação Pública e abrir mais vagas, o governo criou o Programa Universidade para Todos (PROUNI). No entanto, isso não é verdade, há dinheiro sim, mas ele é revertido para o pagamento dos juros da dívida externa. E sob o pretexto de incluir “todos” na Universidade, o governo isenta os donos das instituições particulares de pagar impostos, que deixam de ser revertidos em investimento para as Universidades Públicas. Além disso, o estudante que recebe a bolsa na Universidade Particular tem que tirar xerox dos textos, tem que comprar livros e tem que minimamente ter condições de habitação, transporte e alimentação. Por esse motivo, acreditamos que um programa deve ser planejado para tornar o Ensino Superior acessível a todos a curto e longo prazo e é falso afirmar que isso pode ser feito por meio de instituições privadas. Se o governo priorizasse realmente a Universidade Pública e quisesse realmente garantir o acesso de todos, poderia ter proposto bolsas nas Universidades Públicas, garantindo a remuneração dos estudantes selecionados para que eles tivessem condições de estudar. Na verdade esse poderia ser um programa emergencial para “incluir” algumas das pessoas que se encontram hoje a margem do acesso à educação, mas o que se faz necessário, planejando a médio e longo prazo, é investir no ensino fundamental e médio, público e de qualidade e extinguir o vestibular, porque todos devem ter acesso ao ensino superior. Para isso é necessário que as avaliações sejam feitas com rigor no ensino básico e que os estudantes não passem de série se não estiverem em condições para isso (hoje em dia, através da “progressão continuada”, estudantes chegam ao ensino médio quase sem saber ler).
Além disso, outra questão absurda da Reforma se refere à autonomia da Universidade. Outra luta que o povo brasileiro travou e que conseguiu assegurar na Constituição de 1988, que é a autonomia de decidir quanto ao conteúdo dos programas de aprendizagem, da escolha do que se vai pesquisar, etc. Essa autonomia da Universidade na Reforma aparece como a autorização das Instuições Públicas de procurar recursos na iniciativa privada para assegurar o seu funcionamento. Mais uma estratégia para que o governo tenha que investir menos na educação e possa desviar o dinheiro para pagamento de juros. Além disso, esse tipo de medida acaba com a possibilidade da produção de conhecimento com autonomia, pois quem “paga a banda, escolhe a música”.
Não bastasse o incentivo para que a educação fosse tratada como mercadoria e não como direito, a Reforma implantada pelo Governo Lula institui claramente na Lei de Inovação tecnológica a legalização do comércio da produção de conhecimento. Essa lei possibilita que empresas se utilizem do espaço da Universidade, (inclusive Pública, tomando emprestados professores e pesquisadores que são pagos pelo Estado), para investir na produção dos conhecimentos necessários ao seu ramo. E mais, o pesquisador fica proibido de divulgar os resultados, pois eles passam a ser tratados como propriedade. Portanto, se uma empresa como a Monsanto se utilizar da Universidade e de seus pesquisadores para investigar os transgênicos e for descoberto que eles fazem mal a saúde humana, esse conhecimento será sigiloso. O conhecimento agora é produzido para beneficiar os negócios de quem financia e não pode ser mais um espaço para o desenvolvimento do conhecimento para o benefício das pessoas. Por isso repetimos, para que exista autonomia na pesquisa, o financiamento tem que ser feito com dinheiro público. E o conhecimento é um bem público, porque ninguém, nenhuma instituição, seria capaz de produzir qualquer conhecimento se ele não tivesse sido desenvolvido ao longo da história por outros homens. Foi por que um dia um homem descobriu o fogo, outro a maquina a vapor, a eletricidade, etc, que hoje é possível avançar no desenvolvimento da tecnologia. Por isso dizemos não a apropriação privada do conhecimento.

Por que afirmamos que não é possível pensar no acesso de todos a Universidade de qualidade por meio do ensino pago?

Hoje, o perfil de muitos estudantes é de um trabalhador-estudante, e quem estuda em cursos pagos vê muitos de seus companheiros de sala deixarem a faculdade por não ter mais recursos. Além disso, temos a Lei de Mensalidades, lançada por Fernando Henrique Cardoso (e não alterada por Lula), que impede que estudantes inadimplentes se matriculem para o próximo período ou ano letivo.
Em qualquer instituição privada a lógica que prevalece é a lógica do lucro. Quando o dono da instituição privada começa a ter menos lucro ou quando não consegue concorrer no mercado, passa a cortar professores o que aumenta a carga sobre outros que acabam não tendo tempo para planejar suas aulas, cortam bolsas de pesquisa, bolsas de assistência estudantil, enfim, em uma universidade particular o que prevalece são os interesses particulares, o lucro e a competitividade são elementos mais importantes que a qualidade de ensino, que a garantia da permanência do estudante, que o emprego do professor, etc.

Universidades estaduais:

Aqui no Paraná a situação das universidades estaduais não é das melhores. Depois de passarmos por oito anos de governo Lerner, que chegou a defender projetos de cobrança de mensalidades dos estudantes (barrados inclusive com muitos protestos na rua), o governo Requião iniciou seu mandato propondo o fechamento de dezenas de cursos nas universidades.
Do mesmo modo que nas universidades federais, todos os inícios de ano nas universidades estaduais do Paraná os alunos sofrem com a falta gigantesca de professores e com apreçaria estrutura. Sem haver concurso público há anos, o quadro docente é substituído por professores colaboradores, com salários ruins e sem nenhuma responsabilidade com a pesquisa e a extensão universitária.
Além disso, são poucas as faculdades públicas do estado em que há comprometimento com a assistência estudantil, o que acarreta a desistência de muitos estudantes por precisarem de bolsas, moradias estudantis, restaurantes universitários, etc. Além disso, nossas entidades estudantis mais gerais, como UPE e UNE, não tem defendido nossos interesses. Assim como em âmbito nacional a UNE preserva e defende o governo Lula, aqui no Paraná a União Paranaense dos Estudantes defende e preserva o governo Roberto Requião, o mesmo governo que tentou fechar mais de 30 cursos nas Universidades Estaduais no início de sua gestão.

Diante de tudo isso, propomos a juventude um programa que contemple:


- Passe Livre para todos os estudantes e trabalhadores desempregados, pois o transporte é condição fundamental no acesso a educação, cultura e lazer;

- Uma política de educação planejada em conjunto com a política de trabalho e renda, pois em uma família onde os país não tem emprego e renda a possibilidade dos filhos serem submetidos a trabalhar em situações informais e precárias é maior, retirando da infância, da adolescência e da juventude o seu direito a educação;

- Revisão das perdas salariais dos ocorridas nos últimos anos, aumento dos salários e Plano de Carreira;

- Investimento na infra-estrutura, em equipamentos necessários, manutenção permanente;

- Assessoria e aprimoramento profissional permanente dos professores;

- Medidas para a retirada do sistema que permite a passagem de uma série a outra sob quaisquer condições;

- Defesa e implantação de uma política educacional voltada para a formação de sujeitos críticos, que conhecem seus direitos, exercem a democracia nos espaços públicos e saibam se expressar e organizar suas demandas. Por um conteúdo programático que leve em consideração os problemas cotidianos dos estudantes;

- Por uma política que limite progressivamente a educação privada e invista na educação pública;

- Luta pela revogação dessa Lei de Inovação Tecnológica e edição de outra que contribua para a geração de conhecimento que beneficie a população brasileira e paranaense no tocante as suas necessidades e que permita o acesso a tecnologia gerada por todos;

- Por uma política de financiamento público de pesquisa que se coloque em contraposição a apropriação privada dos mecanismos de geração de conhecimento.



Reggae e Socialismo: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Voto Heloísa Helena - Sergipe: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Fotolog: http://ubbibr.fotolog.com/mgabriel/

A juventude é apenas uma faixa etária?

O que é ser jovem? Um estado de espírito? Possuir certa faixa de idade entre a infância e a fase adulta? Um período de rebeldia sem causa?

O que todos esperam do jovem é que ele estude muito para ser alguém na vida. Ora, o que isso significa senão que ainda somos ninguém? Por isso todos se vêem no direito de controlar nossos sonhos, desejos, prazeres, amizades e sexualidade. Tentam nos ditar como se comportar, como vestir, como amar, se divertir e pensar. Nos limitam nossa liberdade, nos educam, nos moldam, nos adestram. Toda essa disciplinarização tem um único objetivo: nos tornar maduros para a fase adulta. Aprender a respeitar os mais velhos para aprender a respeitar o estado de coisas estabelecidas na nossa sociedade, isto é, aprender a respeitar uma pretensa ordem natural do mundo em que uma minoria detêm todo o poder e riqueza enquanto a grande minoria é obrigada a tentar vender sua força de trabalho para sobreviver.

Em casa são nossos pais que detêm quase todo o poder, por mais democráticos que o sejam. São eles quem decidem em última instância como será gasta a renda familiar e as regras de convivência familiar. Não raro impõem unilateralmente um horário para se chegar em casa, para receber os amigos, para se alimentar, jogar vídeo-game, o local da casa onde namorar (quando é permito trazer o/a companheiro/a em casa!), a programação da TV, etc. Quando o jovem tenta se rebelar contra todas essas imposições logo é colocado em sua testa o rótulo de mal-educado!

Na escola, o jovem se torna o aluno. A origem etimológica desta palavra nos revela a relação: o jovem é tratado como sem luz, sem conteúdo, como um recipiente vazio em que um adulto (o professor!) deve depositar a sabedoria e a luz. Não podemos decidir o que e como aprender, o professor é o dono da verdade, da palavra e das regras em sala de aula. A escola está toda organizada em uma hierarquia em que o diretor está no topo e os alunos na parte mais baixa, quase subterrânea. Qualquer ato de rebeldia contra esta situação é logo punido com notas baixas, suspensões e expulsões. Não raro tratam o problema de violência que existe nas escolas de periferia como um caso de polícia, nunca se procura na desigualdade social a causa desses problemas e dessa forma nunca se encontra solução para estes casos que se reproduzem indefinidamente.

Em busca de liberdade os jovens buscam outros espaços. Entretanto, nos bares e danceterias só existe liberdade para quem pode pagar. Os jovens da periferia buscam, então, as esquinas dos espaços urbanos e logo descobrem através da repressão policial que também esse espaço não pode ser seu. No trabalho se tornam aprendizes, estagiários, trabalhadores menos qualificados e piores remunerados. Isto sem contar a dificuldade de se encontrar emprego que é sempre maior para quem não possui experiência. E os governantes, sempre a serviço das classes dominantes, com o argumento de estarem oferecendo melhores condições para diminuir o desemprego entre os jovens, criam leis que levam a uma sempre crescente precarização do trabalho da juventude.

Nos últimos anos, vimos crescer a chamada “indústria dos estágios”. Esses empregos, que deveriam servir como atividades formativas, viraram contratos temporários e mal pagos. Estagiários são contratados para funções que nada tem a ver com sua formação, pois é melhor pagar R$200,00 para um estagiário do que R$1000,00 para um funcionário “normal”.

As relações sociais assim organizadas funcionam como uma fábrica em que se produz não mercadoria, mas trabalhadores disciplinados. Existiram sociedades em que ser jovem resumia-se a um breve um rito de passagem para a vida adulta, em outras sociedades o conceito de juventude não era nem mesmo conhecido: da infância se passava direto para a fase adulta. É apenas com o aparecimento do capitalismo que juventude ganha o atual significado. Por isso juventude não pode ser vista como uma faixa de idade ou um estado de espírito, mas como um período de opressão em que somos educados à disciplina do trabalho.

Por isso os jovens são obrigados a se rebelar e, ao contrário do que dizem, não se trata de uma rebeldia sem causa. Quando o jovem enfim encara como natural um sistema de opressões e privações diz-se que chegou a maturidade, chegou à fase adulta! A opressão de juventude é uma grande escola da vida em que os jovens são doutrinados a se calar diante do capitalismo. Não à toa, nos momentos de grande contestação social são sempre os jovens os principais protagonistas: se a juventude é a fase da vida em que mais do que qualquer outra somos ensinados a ser trabalhadores disciplinados é porque se trata de um momento da vida em que ainda não internalizamos todos os valores da nossa sociedade de forma passiva.

Muitas vezes a rebeldia da juventude assume forma de contestação puramente individual, expressão inconsciente contra essa opressão que não produz grandes resultados práticos. Por outras vezes, a rebeldia da juventude assume formas mais organizadas, como manifestações culturais que vão contra a cultura estabelecida, em que os jovens exigem uma nova forma de viver sua sexualidade, experimentam novas relações pessoais, produzem sua própria arte (o hip hop, por exemplo) e novos conhecimentos sobre o mundo. Em alguns momentos os jovens chegam mesmo a assumir um papel de impulsionadores de um movimento de massa das classes trabalhadoras em favor do socialismo (a média de idade do Comitê Central do Partido Comunista durante a Revolução Russa de 1917 era menos de 25 anos!). A década de 60 foi um desses momentos: os jovens, ao mesmo tempo, criaram o rock’n’roll, organizaram comunidades hippies e lutaram contra o capitalismo. No Brasil, no mesmo período, foram especialmente os jovens os principais protagonistas da luta contra a ditadura militar.

Foram muitas as conquistas das lutas de juventude; hoje os jovens conseguem ser mais ouvidos e respeitados do que seus pais quando estes eram jovens. Por isso é tão comum ouvir dos nossos pais: “no meu tempo não era assim!”. Contudo, no mundo contemporâneo, outras formas de opressão pesam sobre nossas cabeças. O tão decantado prolongamento da juventude, por exemplo, nada mais é do que uma dependência dos pais prolongada decorrente de um desemprego estrutural de índices alarmantes. Além disso, são os jovens as maiores vítimas de uma sociedade em que o consumo é colocado acima de tudo. Somos bombardeados pela moda e pela mídia que nos oferece inúmeros produtos que jamais poderemos consumir, gerando frustrações e degradando relações pessoais: reduzidos a mero consumidores valemos o quanto possuímos e não por aquilo que somos. Um padrão de estética quase inatingível é exigido, gerando problemas como aneroxia, dependência de anabolizantes, remédios para emagrecer e depressão. Não obstante, a miséria sempre crescente leva ao aumento da criminalidade, prostituição e precarização do trabalho e da educação. Problemas em que são os jovens sempre as maiores vítimas. Mesmo em alguns partidos políticos de esquerda, os jovens são aqueles que colam os cartazes, que distribuem os panfletos, mas não podem participar de nenhum espaço decisório.

É hora de dar um basta a esta situação! Por isso, no Partido Socialismo e Liberdade, os jovens se organizam através de um Setorial de Juventude. Através da Juventude do P-SOL (J-PSOL) nos organizamos para combater todas essas formas de opressão da juventude e lutar contra a precarização do trabalho e por uma educação pública, gratuita, de qualidade e acima de tudo, que forme cidadãos críticos e conscientes. A J-PSOL tem como missão ser um instrumento da juventude para a luta, uma vez que a história demonstra que apenas quando os próprios oprimidos se organizam para o combate é que a situação pode ser mudada. Nos colocamos, desse modo, junto com todo o partido como uma peça fundamental da luta pelo socialismo, mas sem esquecer que a juventude possui suas próprias reivindicações e que apenas através de nossa auto-organização poderemos fazer com que juventude seja, enfim, tão somente uma faixa de idade ou um estado de espírito.


25 maio, 2006

MPL: Visão de mundo e Ideologia

Alexis Azevedo
Estudante de Direito-UFS

O Movimento Passe Livre constitui-se, como qualquer outra forma de organização, de uma ideologia. A nossa ideologia não é o capitalismo. A nossa ideologia não é o liberalismo. A nossa ideologia não é o socialismo. A nossa ideologia não é o anarquismo. Então qual a ideologia do MPL? A nossa ideologia é a crença numa sociedade mais justa, na qual os trabalhadores e trabalhadoras possam viver dignamente, na qual não existam opressões, tampouco desigualdade. Essa ideologia pode passar por dentro de outras, como o socialismo e o anarquismo, mas estamos muito aquém de sermos totalmente contemplados por alguma das duas ou de qualquer outra.

Quando o MPL se propõe a lutar pelo transporte público, isto é, quando elabora estratégias para a desmercantilização do transporte público, lutando também pela melhoria da qualidade e por uma tarifa justa para os trabalhadores e trabalhadoras, estamos objetivando uma transformação social. Desconstituindo o poder empresarial e quebrando as bases do capital. Passa-se então para uma luta maior. Uma luta que não se resume ao transporte público, mas que abrange uma idéia de transformação e de uma nova visão de mundo.

Essa luta pela transformação e por uma nova visão de mundo é que muitas vezes não é compreendida por militantes e pessoas que não compõem o movimento. O maior erro é justamente crer que o movimento passe livre se faz presente na transformação do transporte público pela transformação pura e simples. Isso é um mito. Precisa ser desconstruído. O MPL não pensa na transformação do transporte público senão dentro de um contexto maior que é a revolução dessa sociedade e desse sistema. Enquanto não enxergamos assim o movimento, não poderemos compreender sua totalidade e ele vai deixar transparecer, de maneira errônea, ser vazio e fraco em sua ideologia.

Por uma nova visão de mundo, por uma ideologia forte e contextualizada na transformação social e por uma luta autônoma, independente e apartidária. É assim que MPL enxerga e é assim que pretende continuar lutando.



Reggae e Socialismo: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

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