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30 março, 2007

Leia a íntegra da fala de Fidel Castro sobre biocombustíveis

FIDEL CASTRO
no "GRANMA"

Mais de três bilhões de pessoas estão condenadas a mortes prematuras por fome e sede, em todo o mundo.

Não se trata de um número exagerado; na verdade, é uma estimativa cautelosa. Pensei bastante sobre isso depois da reunião do presidente Bush com as montadoras de automóveis norte-americanas.

No dia 26 de março, a sinistra idéia de converter alimentos em combustíveis se estabeleceu definitivamente como diretriz econômica de política externa para os Estados Unidos.
Um artigo da agência de notícias norte-americanas AP, distribuído a todos os cantos do mundo, afirmava, textualmente:

"WASHINGTON, 26 de março (AP). O presidente George W. Bush elogiou na segunda-feira os benefícios dos automóveis que funcionam com etanol e biodiesel, durante uma reunião com montadoras de automóveis na qual buscou estimular seus planos para combustíveis alternativos.

Bush disse que um compromisso dos líderes da indústria automobilística nacional quanto a duplicar sua produção de veículos acionados por combustíveis alternativos ajudaria a convencer os motoristas a abandonar os motores a gasolina e a reduzir a dependência do país com relação ao petróleo importado.

'Trata-se de um grande avanço tecnológico para o país', disse Bush depois de inspecionar veículos movidos a combustíveis alternativos. 'Se o país quer reduzir o consumo de gasolina, é preciso oferecer ao consumidor a possibilidade de tomar uma decisão racional.'

O presidente instou o Congresso a aprovar em regime acelerado um projeto de lei proposto recentemente pelo governo que disporia o uso de 132 bilhões de litros de combustíveis alternativos no país em 2017, e imporia padrões mais exigentes para o consumo de combustível em automóveis.

Bush se reuniu com o presidente-executivo e do conselho da General Motors, Rich Wagoner; com o presidente-executivo da Ford Motor, Alan Mulally; e com o presidente-executivo do Chrysler Group, Tom LaSorda.

Os participantes da reunião discutiram medidas de apoio à produção de veículos acionados por combustíveis alternativos, metas para desenvolver a produção de etanol com base em materiais como gramíneas e serragem, e uma proposta para reduzir em 20% o consumo de gasolina em prazo de 10 anos.

As discussões se realizaram em um momento de alta nos preços da gasolina. O mais recente estudo da Lundberg Survey sinaliza que o preço médio da gasolina nos Estados Unidos subiu em 1,58 centavo por litro, para US$ 0,69 por litro."

Acredito que reduzir e também reciclar todos os motores que consomem eletricidade e combustível é uma necessidade elementar e urgente para toda a humanidade. A tragédia não consiste em reduzir os gastos com a energia, mas sim na idéia de converter alimentos em combustíveis.

Hoje se sabe com toda precisão que uma tonelada de milho produz uma média máxima de 413 litros de álcool, a depender das densidades.

O preço médio do milho nos portos dos Estados Unidos se eleva a US$ 167 por tonelada; portanto, para produzir 132 bilhões de litros (35 bilhões de galões) de álcool seriam precisos 320 milhões de toneladas de milho.

De acordo com dados da Organização Mundial de Agricultura (FAO), a safra de milho dos Estados Unidos foi de 280,2 milhões de toneladas em 2005.

Ainda que o presidente fale em produzir combustível com base em grama ou lascas de madeira, qualquer pessoa pode compreender que são afirmações desprovidas de realismo. Para compreender basta dizer que 35 bilhões de galões querem dizer 35 seguido por nove zeros!

Virão mais tarde belos exemplos da produtividade por pessoa e por hectare que os experientes e bem organizados agricultores norte-americanos atingiram: o milho convertido em álcool os resíduos de milho convertidos em ração animal com 26% de proteína; o excremento de gado usado como matéria-prima para a produção de gás. Isso, claro, depois de elevados investimentos que só estão ao alcance das empresas mais poderosas, nas quais tudo precisa funcionar na base do consumo de eletricidade e combustível.

Se essa receita for aplicada aos países do Terceiro Mundo, veremos quantas pessoas entre as massas famintas de nosso planeta deixarão de comer milho. Ou algo pior: se financiamentos forem concedidos aos países pobres para que produzam álcool de milho ou de outros alimentos, não restará uma árvore para defender a humanidade contra as alterações climáticas.

Outros países do mundo rico planejam usar não só milho mas também trigo, sementes de girassol, de colza e outros alimentos na produção de combustível. Para os europeus, por exemplo, seria negócio importar toda a soja do mundo a fim de reduzir o gasto com os combustíveis de seus automóveis e alimentar seus animais com os resíduos do cereal, especialmente rico em todos os tipos de aminoácidos essenciais.

Em Cuba, diversos tipos de álcool são gerados como subproduto da indústria açucareira, depois da realização de três extrações, do açúcar ao sumo de cana. A mudança do clima está afetando nossa produção de açúcar. Grandes secas e chuvas recorde se alternam, e isso só permite produzir açúcar durante cem dias com rendimento adequado nos meses do nosso muito moderado inverno, de modo que falta açúcar por tonelada de cana ou falta cana por hectare cultivado devido às prolongadas secas nos meses de semeadura e cultivo.

Na Venezuela, pelo que sei, eles planejam usar o álcool não para exportação, mas sim para melhorar a qualidade ambiental de seus combustíveis. Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para a produção de álcool, em Cuba o emprego da tecnologia de produção direta de álcool a partir do sumo da cana não constitui mais que um sonho ou desvario daqueles que se iludem com essa idéia. Em nosso país, as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser muito mais úteis à produção de alimentos para o povo e à proteção do meio ambiente.

Todos os países do mundo, ricos e pobres, sem exceção alguma, poderiam economizar milhões de milhões de dólares em investimento e combustível se simplesmente promovessem a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes, algo que Cuba já levou a cabo em todos os domicílios do país. Isso significaria uma forma de resistir à mudança do clima sem matar de fome as massas empobrecidas do mundo.

Como se pode observar, não emprego adjetivos para qualificar o sistema e os donos do mundo. Essa tarefa pode ser perfeitamente realizada pelos especialistas em informação, pelos homens das ciências socioeconômicas e políticas honestos que existem em grande número no mundo e constantemente avaliam o presente e o porvir de nossa espécie. Basta um computador e um número crescente de redes de Internet.
Hoje temos pela primeira vez uma economia realmente globalizada, e uma potência dominante no terreno econômico, político e militar, que em nada se assemelha à Roma dos imperadores.

Alguns se perguntam por que falo de fome e sede. Respondo: não se trata do outro lado da moeda, mas sim das diversas faces de um outro objeto, como um dado que tem seis faces ou um poliedro com muitas faces mais.

Recorro, no caso, a uma agência oficial de notícias, fundada em 1945 e em geral bem informada sobre os problemas econômicos e sociais do mundo: a Telam. Reproduzo textualmente:

"Cerca de dois bilhões de pessoas viverão, dentro de apenas 18 anos, em países e regiões nos quais a água será uma recordação distante. Dois terços da população mundial poderão estar vivendo em lugares onde essa escassez gerará tensões sociais e econômicas de tal magnitude que poderiam levar os povos a guerras pelo precioso ouro azul."

Durante os últimos cem anos, o uso de água aumentou em ritmo mais de duas vezes superior ao do crescimento da população.

Segundo estatísticas do Conselho Mundial da Água (WMC, de sua sigla em inglês), se estima que, em 2015, o número de pessoas afetadas por essa grave situação suba a 3,5 bilhões.

A ONU celebrou em 23 de março o Dia Mundial da Água, conclamando os países a enfrentar a escassez mundial de água sob a coordenação da Organização de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), com o objetivo de destacar a crescente importância da falta de água em nível mundial, e a necessidade de maior integração e cooperação, que permitam garantir uma gestão sustentável e eficiente dos recursos híbridos.

Muitas regiões do planeta sofrem escassez severa de água, vivendo com menos de 500 metros cúbicos por pessoa/ano. Cada vez mais regiões padecem de falta crônica desse elemento vital.

As principais conseqüências da escassez de água são a quantidade insuficiente desse líquido para a produção de alimentos, a impossibilidade de desenvolvimento, industrial, urbano e turístico, e problemas de saúde."

É isso que a Telam tem a dizer.

Deixo de mencionar nesse caso outros dados importantes, como o derretimento das geleiras na Groenlândia e na Antártida, os danos à camada de ozônio e a crescente presença de mercúrio em muitos peixes de consumo habitual.

Há outros temas que poderiam ser abordados, mas pretendo simplesmente com estas linhas fazer um comentário sobre a reunião do presidente Bush com os executivos que dirigem as montadoras de automóveis norte-americanas.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

01 setembro, 2006

Repórter cubano burla democracia

Fausto Wolff

Diante da morte anunciada de Fidel, repórteres de centenas de democracias foram à ilha e comprovaram que existem prostitutas, engenheiros dirigindo táxis por falta de coisa melhor, escassez de comida e de medicamentos e, pior, não há eleições para presidente. Vivem, coitados, um eterno 1968. Diante da possibilidade de Cuba cair numa democracia, um repórter cubano veio ao Brasil e, após uma semana, me entrevistou:

RC - Por que milhões de pessoas moram em casas de cachorro?
FW - É gente trabalhadora que veio do campo, pois não tinha terra para plantar...

- Você está brincando. O Brasil pode ser o celeiro do mundo...
- É que as terras têm proprietários e, numa democracia, a propriedade privada é sagrada.

- Como os proprietários conseguiram as terras?
- Herança do pais. E esta é outra lei pétrea da nossa Constituição.
- E o pai ganhou a terra de quem?
- Do avô, que ganhou do bisavô, que ganhou do trisavô, que ganhou do tetravô, que, por sua vez, tomou as terras à força.

- Mas isso não é ilegal?
- Na época ainda não éramos uma democracia.
- E se o povo faminto tomar as terras?
- Isso seria antidemocrático. Teríamos que proteger as terras improdutivas com soldados e milhares morreriam, inclusive alguns soldados.
- Soube que só ontem, no Rio e em São Paulo, morreram mais pessoas em tiroteio do que no Líbano.

- É que levamos a nossa democracia a extremos nunca vistos no mundo. Os presidiários, embora destituídos de direito, também têm voz e da cadeia comandam um exército de marginais que não ama a democracia.
- E ainda assim vão liberar 11 mil presidiários no Dia dos Pais? Os chefes do PCC não vão se aproveitar para botar o bloco na rua?
- Não. Só sairão os mais bonzinhos, segundo o secretário de Segurança de São Paulo.

- O líder do PT na Câmara diz que gastará R$ 2,5 milhões na campanha para se eleger. Para ganhar isso com o salário de deputado, que é de R$ 15 mil, teria de trabalhar 11 anos.
- Isso acontece com a maioria deles. É gente que ganhou dinheiro honestamente na empresa privada e quer agradecer ao povo trabalhando praticamente de graça.

- Vocês fizeram CPIs e descobriram que havia ladrões nos Correios, no Ministério da Saúde, no Ministério de Ciência e Tecnologia, no Ministério da Fazenda, no Ministério da Justiça, no Senado, em centenas de prefeituras. Não poderia haver fraude em um ministério sem que todos estivessem envolvidos. Trata-se de uma democracia sob suspeita.
- Ao contrário. Os crimes só são descobertos em democracia.
- Mas ninguém foi para a cadeia e a maioria foi inocentada no Congresso.
- A isso chamamos ética democrática. Seria muito feio um deputado expulsar outro. As famílias se conhecem, as crianças freqüentam os mesmos colégios, vão às mesmas festas...

- Vocês têm tanto dinheiro... Por que não acabam com o analfabetismo, o desemprego, a miséria, a prostituição, o tráfico de drogas?
- Prostitutas vocês também têm. Poucas, mas têm. Agora respondo à sua pergunta: uma verdadeira democracia não distingue entre pobres e ricos. Sempre que sobra dinheiro para as reformas, alguns bancos vão à falência e, para evitar essa vergonha, o Banco Central dá o dinheiro das reformas para eles. O BNDS, agora mesmo, emprestou 1,7 bilhão de financiamento para uma companhia de celulose. É assim que a democracia funciona, pelo menos no modelo neoliberal, que é o nosso. veja o caso da Companhia Vale do Rio Doce. A primeira mineradora do mundo dava muito lucro. O presidente achou que o povo já havia ganho o bastante e a vendeu para particulares por R$ 3 bilhões. Eles já lucraram R$ 6 bilhões e ainda não pagaram o empréstimo.

- Mas Lula não era de esquerda e contra as privatizações?
- Era, e por isso foi eleito. Um mês depois da posse descobriu que se regenerou e tornou-se crente fervoroso do neoliberalismo
- E ele vai se reeleger?
- Parece que será eleito com o voto dos pobres e miseráveis que se identificam com ele, que já foi pobre e hoje tem até mulher com dupla cidadania e filho milionário.

- Confesso que não entendo uma democracia com tanta miséria, tanto crime, tanta safadeza.
- É que você nasceu numa ditadura sangrenta e despótica. Assim que Fidel morrer e os americanos instalarem uma democracia em Cuba, como instalaram no Brasil, você vai ver como é bom.




Reggae e Socialismo: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Voto Helo?sa Helena - Sergipe: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12329912

Fotolog: http://ubbibr.fotolog.com/mgabriel/